segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

PEC N. 110/19: A AMPLIAÇÃO DA REFORMA TRIBUTÁRIA

 



A Proposta de Emenda à Constituição – PEC n. 110/19 já se encontra em análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e, tendo em vista do regimento, deve ir em seguida ao plenário.

A PEC n. 110/19 reproduz o texto final do substitutivo da PEC n. 293/04, aprovado na Comissão Especial de Reforma na Câmara no final da última legislatura, tendo sido relator o então Deputado Luiz Carlos Hauly.

A Comissão Mista da Reforma Tributária resultou de um acordo entre a Câmara e o Senado Federal, para utilizar a PEC n. 45/19, que se limita à matéria de unificação dos tributos sobre o consumo, na PEC n. 110/19.

Assim cabe repassar alguns aspectos da PEC n. 110/19, norteada na simplificação, tecnologia na arrecadação e justiça distributiva para renovar um sistema tributário regressivo e desestimulador do investimento, como indica a perda do papel da indústria na economia.

O tema da industrialização fica revigorado em vista da pandemia da COVID-19, pois os países constataram que ficaram vulneráveis se não desenvolvem uma política industrial. Neste ponto verifica-se que a implantação de IVA nacional em 2017 na Índia tem contribuído para o protagonismo do país na produção de vacinas.

Como na PEC n. 45/19 o Imposto sobre Bens e Serviços deve ser calculado sobre o preço (extinção do chamado “cálculo por dentro”) que impede de saber quanto se paga de imposto no consumo, produto da arrecadação fica para o local em que mora o consumidor (extinção da “guerra fiscal” entre Estados e Municípios para atrair investimento por meio de “incentivos fiscais” de constitucionalidade questionável) e extinção de tributos sobre o consumo. Neste ponto a Comissão Mista deve escolher entre a mais ampla da PEC n. 110/49 e a mais limitada da PEC N. 45/19, este debate será relevante para se aceitar ou não por um período “tampão” a CPMF que poderá ser mandada pelo Poder Executivo para financiar o auxílio emergencial.

-A PEC N. 110/19 prevê um modelo de cobrança eletrônica (modelo Abuhab) em que o IBS passa a ser devido no momento do pagamento, ao invés do faturamento, bem como um sistema automático que vai deduzir o crédito do IBS em tempo real e recolher automaticamente, vinculado ao sistema bancário e a empresa pode controlar tudo na hora.

-A PEC N. 110/19 estabelece que as alíquotas devem ser padronizadas nacionalmente, mas cria a possibilidade de haver alíquotas reduzidas ou zeradas para itens como remédios, alimentação, transporte urbano, saneamento básico, educação.

-A PEC N. 110/19 estabelece a competência da União para criar um imposto seletivo unifásico para desestimular o consumo de bebidas e para proteção do meio ambiente. O estímulo para o investimento pode se verificar a devolução do imposto incidente sobre o bem de ativo fixo de imediato.

-A PEC N. 110/19 prevê um mecanismo, por meio da nota fiscal eletrônica Brasil, em que se pode desonerar de imediato os beneficiários dos programas de transferência de renda como bolsa família.
O produto da arrecadação do imposto sobre a transmissão “causa mortis” e doação passa a ser dos Municípios.

Estes são alguns aspectos da PEC n. 110/19 que indicam uma papel mais amplo do que PEC n. 45/15 que se limita a unificar os impostos sobre o consumo, além de suas disposições poderem ser compatíveis com a PEC n. 110, se assim estabelecer o relatório da Comissão Mista da Reforma Tributária.



Publicado originalmente em: 

http://www.ambientelegal.com.br/pec-n-11019-a-ampliacao-da-reforma-tributaria/ . Acesso em: 15-fev-2021

A Indústria e a Unificação dos Tributos sobre o Consumo

 A Indústria e a Unificação dos Tributos sobre o Consumo

         Neste artigo destacar-se-á a relevância do tema da unificação dos tributos sobre o consumo para a industrialização.

         Embora o Brasil tenha abandonado uma política industrial baseada no desenvolvimento tecnológico, o processo de substituição de importações garante modernização nas relações sociais e emprego.

         A transferência das atividades industriais da Ford para o Uruguai e Argentina tem um caráter simbólico, pois o Mercosul dispõe de um regime automotivo e se verifica a isenção dos impostos sobre a importação entre o Brasil e estes países.

         Ocorre que a Ford foi pioneira na fabricação em massa de bens de consumo, produzia todas as peças dos veículos que produzia, exceto os pneus, e vinha fabricando seus veículos no Brasil desde 1919.

         O fundador da Ford, Henry Ford, aplicou métodos de administração inovadores.

A desindustrialização no Brasil tem sido acelerada nos últimos anos. Estima-se o fechamento de uma dezena de fábricas diariamente nos últimos cinco anos.

As diferentes políticas sanitárias durante a pandemia da COVID-19 têm determinado que os países a fixação de barreiras não  tarifárias.

Assim a autonomia do país envolve produção interna por meio de sua indústria, a exemplo do que aconteceu na primeira e na segunda guerra mundiais.

Os argumentos contrários ao exposto entendem que tais empresas industriais tiveram “incentivos fiscais” suficientes, mas justamente aí se encontra a vulnerabilidade do argumento.

Ocorre que tais “incentivos fiscais” consistentes na isenção e redução de tributos sujeitam-se a requisitos que conformam sua conduta futura e se sujeitam ao controle da Administração Tributária.

Caso se considere que qualquer requisito não tenha sido observado, deve a autoridade tributária exigir o tributo acrescido de multas e juros de mora.

Enfim se a indústria necessita de “incentivos fiscais”, a tributação sobre o consumo é ruim e desestimula o investimento que aumenta a produtividade.

Neste sentido, cabe razão a Cleide Regina Furlani Pompermaier ao criticar que não se deve chamar de “reforma tributária” a uma “unificação dos tributos sobre o consumo”. De fato, o ideal seria ao menos uma tributação sobre o patrimônio renovada segundo a PEC n.110/19.

A OCDE constitui um foro composto por 35 países, dedicado à fixação de padrões em vários temas (“soft law”). Suas reuniões e debates, particularmente sobre atividade econômica e investimento internacional, permitem troca de experiências e coordenação de políticas em áreas diversas da atuação governamental. O ingresso do Brasil na OCDE permite que possamos influenciar estes padrões entre os países mais desenvolvidos.

A OCDE condiciona a entrada do Brasil à eliminação dos cinco tributos diferentes (ICMS, IPI, ISS, PIS e COFINS) e seus diferentes regimes que inviabilizam a concretização do direito constitucional do contribuinte: “A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços”. Além do disposto no artigo 6., inciso III do CDC que estabelece a informação sobre tributos incidentes no consumo.

Ocorre que estas disposições se tornam difíceis de serem concretizadas diante da complexa incidência de diferentes tributos sobre a mesma base e os cálculos “por dentro” do ICMS que dificultam ao consumidor o entendimento do valor que arca e os diferentes regimes jurídicos

Neste sentido as propostas do imposto sobre bens e serviços - IBS, constantes nas Propostas de Emenda à Constituição ns. 110/19 e 45/19 viabilizam que o produto da arrecadação permaneça no domicílio do consumidor e o cálculo do IBS deva ser sobre o preço como se verifica nos países que adotam o IVA.

A cobrança no destino ao invés da origem torna sem sentido a persistente “guerra fiscal” entre Estados e Municípios para atrair investimento para o seu território.

A OCDE considera que o sistema tributário fragmentado do Brasil dá origem a um dos custos fiscais mais elevados do mundo. Uma ampla gama de isenções e regimes especiais reduzem a justiça e o efeito de redistribuição de impostos. Assim o investimento em infraestrutura está aquém do necessário há anos, tornando a logística também desafiadora e cara.

No relatório da OCDE sobre o Brasil aconselha que se siga o exemplo da India (Estado federativo, a exemplo do Brasil) que implementou, em 2017, um imposto sobre valor agregado nacional, chamado Imposto sobre Mercadorias e Serviços (GST). O GST substituiu cerca de trinta impostos diferentes anteriormente cobrados separadamente pelos governos central, estadual e local.

As alíquotas do GST foram harmonizadas em toda Índia e foram criados incentivos para formalização e conformidade, pois os compradores de insumos intermediários têm interesse que essas entradas observem a legislação, o que poderia ser uma ideia para superar os modelos do Simples Nacional que acabam por estimular que a empresa permaneça de pequeno porte.

A OCDE destaca que um consenso entre os entes federativos foi difícil. O sucesso desta unificação levou a um crescimento da economia como um todo dissolvendo eventuais perdas setoriais.

Alcançar o consenso entre os estados foi politicamente difícil na India, a exemplo do Brasil de hoje, mas as preocupações sobre quebras de receita foram tratadas por uma central de garantia do governo de que as receitas do estado cresceriam 14% ao ano em 5 anos.

Estabeleceu-se uma compensação por meio de um fundo  criado para compensar os estados por receitas mais baixas.

A governança do imposto na Índia foi delegada a um Conselho de Secretários da Fazenda, semelhante ao Conselho de Política Fazendária (CONFAZ).

 As decisões do conselho exigem uma maioria de 75%, não unanimidade, embora experiência tenha demonstrado que se acabe adotando uma postura colaborativa e todas as decisões estejam sendo tomadas por unanimidade, dado o sucesso no crescimento da economia com a unificação dos impostos sobre o consumo.

Um recurso atraente do GST para reduzir a evasão fiscal foi uma coordenação de documentos fiscais por meio da aplicação de técnicas de dados para identificar lacunas de conformidade, que estariam fora do alcance da maioria dos entes federativos.

A pandemia da COVID-19 demonstra uma aceleração de processos de mudança que podem isolar o Brasil até no continente, considerando que México, Chile e, no ano de 2020, a Colômbia já ingressaram na OCDE.

Publicado originalmente em:

http://conversandocomoprofessor.com.br/2021/02/11/a-industria-e-a-unificacao-dos-tributos-sobre-o-consumo/. Acesso em: 15-fev-2021


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Desenvolvimento Econômico Local e Gestão Municipal

 


Guido Asencio

Os municípios em sua lógica de serem os governos locais enfrentam constantemente o desafio de identificar ações estratégicas, que lhes permitam resolver diversas complexidades, a curto, médio e longo prazo, caracterizadas por cenários altamente dinâmicos, influenciados por mudanças, em diferentes áreas, como políticos, sociais, territoriais, administrativos, etc., que se inserem, sem dúvida, na natureza institucional de um Município.

Passar pelas diferentes ações que são realizadas na gestão municipal, envolve a realização de planejamento visando assumir processos de mudança que tenham que adotar aspectos modernizadores, com senso de originalidade, coletando particularidades apresentadas emr cada território, evitando, sempre que possível, gerar traços de outras realidades, sem perder de vista, a importância das tendências regionais, nacionais ou globais , que pode servir de espelho para a geração de boas práticas, que fortalecem o governo local.

Enquanto isso, para ampliar a visão de aprimoramento de um sistema municipal com melhores armas para enfrentar essa complexidade, é essencial estabelecer uma gestão baseada na adequada coordenação das redes, capaz de gerar processos de inclusão, envolvendo atores relevantes, como representantes de instituições, empresas ou organizações básicas, que tenham impacto direto ou indireto na construção e modelagem do território , buscando uma visão clara e projetiva em conjunto, do que deve ser alcançado, do ponto de vista econômico-produtivo e social, com isso, é possível moldar um capital social, equipado com ferramentas de viabilização de diferentes pontos de vista.

Para melhorar os modelos de gestão municipal, é essencial levar em conta os avanços na descentralização que está sendo feito no Chile, que se inserem no desafio de levar a sério a reavaliação dos processos de gestão regional, para isso, é essencial explicar e tornar transparente os níveis de eficiência, em termos de distribuição de recursos, para a facilitação do acesso aos serviços públicos básicos à geração de políticas públicas, tão fundamentais quanto, melhoram a conectividade, tanto nas áreas urbana quanto rural, entre outras ideias que podem servir como contribuições significativas que ajudam a fazer a diferença entre um ou outro município.

Para alcançar o desenvolvimento local harmonioso e equilibrado entre os municípios, é preciso fazer um trabalho decisivo para reduzir as grandes lacunas entre os municípios de grande e pequeno porte. Os municípios mais vulneráveis têm a desvantagem de ter recursos financeiros limitados, o que significa que eles têm menos possibilidades de desenvolvimento em todas as suas áreas. Um exemplo disso é o acesso limitado a uma estrutura qualificada de recursos humanos, resultando em diversos efeitos colaterais, dentro dos quais menos ferramentas podem ser imaginadas para facilitar as possibilidades de negociação de projetos de investimento, por isso redes virtuosas de troca de experiências devem ser geradas, visando a obtenção de entropia positiva, com isso, é possível acessar o estabelecimento de trocas em termos de acesso à informação e conhecimento entre os municípios, a isso é preciso acrescentar a criação de parcerias público-privadas, que gerem efeitos sinérgicos beneficiando todo o ambiente socioeconômico de um determinado território.

A dinâmica territorial está constantemente repleta de problemas emergentes, decorrentes de uma série de demandas cidadãs, que influenciam a gestão e o financiamento de múltiplos requisitos, que se devem a funções originárias de diferentes ações executadas por meio do processo decisório, levando em conta a implementação de políticas públicas, que tenham relação direta com a gestão municipal e que , muitas vezes, são inevitáveis quando se trata de realizá-los em um governo local.

Tais decisões exigem a implementação de planos de contingência, levando em conta as limitações de estrutura, política e organizacional. Nessa encruzilhada, é essencial estabelecer mecanismos de interação direta com outros órgãos públicos, em seus níveis provinciais, regionais e setoriais, garantindo que respondam com respeito e efetividade às constantes demandas feitas pelos cidadãos.

Os municípios, órgãos dotados de autonomia, devem ser capazes de adaptar as políticas gerais dos governos, considerando as realidades de cada território, adutor de competências locais que, se valorizadas e influenciadas por sua própria liderança, tornam-se protagonistas do progresso de suas localidades e não meros executores de políticas nacionais.

Por outro lado, sabe-se que as capacidades financeiras dos municípios, em relação à sua ampla gama de competências, aliadas às demandas exigidas pelos cidadãos, são limitadas. De acordo com dados da Subdere (2007), os municípios chilenos possuem 13% dos recursos do governo central, com os quais devem financiar obras locais, prestar serviços de limpeza e ornamentação, iluminação pública, manutenção de parques e jardins, planejar e ordenar o território, administrar educação básica e média, saúde básica, fomentar a cultura, cuidar do meio ambiente, promover e estimular o desenvolvimento econômico local e fornecer os recursos humanos necessários para manter as plantas dos funcionários municipais , entre outras funções derivadas de seu papel como proximidade com os cidadãos.

As capacidades organizacionais dos Municípios também devem ser equipadas de ferramentas, atuando como órgãos de canalização e facilitadores do empreendedorismo local, destacando as características endógenas que os territórios possuem,  agregando um componente de identidade a cada projeto público e/ou privado que é realizado,  bem como articulando com os demais planos de serviços públicos que possuem em objetivos comuns devem fazer contribuições reais e concretas de suas diferentes esferas.

Em suma, o desafio que os municípios têm de propor para enfrentar os desafios do desenvolvimento social e econômico local, é dado pelo estabelecimento de mecanismos de gestão de alta complexidade, onde a articulação de todos os atores envolvidos, o que pode ser uma contribuição, de cada setor representando os mundos público e privado, é relevante, ou seja, há a necessidade de abrir o espectro de responsabilidades para um melhor progresso, dando importância ao efeito sinérgico que a interação entre diferentes organizações chamadas para construir um melhor desenvolvimento social e econômico pode ter.

 

 


sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

A MINHA VIVÊNCIA NA PANDEMIA E O CHILE

 

    

Como todos fui surpreendido pela COVID-19 e algumas datas são bem significativas e suas consequências permanecem, devem durar algum tempo ou permanecer para sempre. Como se sabe falta uma narrativa que confira uma interpretação mais objetivas para a época que vivemos. Até os intelectuais mais significativos como, por exemplo, Iuval Noah Harari ou Edgar Morin, fazem suas avaliações do momento com ressalvas, dada a disrupção da covid-19.

Entre os dias 7 e 16 de março de 2020 minha filha Carolina veio me visitar e, em contato com parentes na Itália, reportava o que lá acontecia. Eu ouvia com certo ceticismo que se morria às centenas e nem podia imaginar os cuidados que me aguardavam.

Minha filha e uma amiga projetavam uma empresa de exportação para a Europa, a covid-19 frustrou este objetivo por enquanto, mas reforçou a atividade de arquitetura que ela vem desenvolvendo ao se fazer necessária a modificação de casas  trabalhar a distância.

Em 16 de março acordei a imaginar restrito meu campo de atuação, passei a ler os estóicos, basicamente Sêneca e Cícero, bem como passei a achar que a História recente teria pouca valia para orientar meu futuro.

Passei a participar de reuniões por zoom controladas a partir da Colômbia, Argentina e Chile, mas com participantes de outros países da América Latina e EUA, mas sempre em espanhol. Por coincidência estreitei relações com o acadêmico Guido Asencio Gallardo e escrevi um artigo em coautoria com o acadêmico Felipe Vicencio Poblete. Ambos chilenos, possuidores de grande envergadura intelectual e com perspectivas diferentes, mas complementares. Durante uma viagem ao Chile fui surpreendido pelas manifestações de outubro de 2019. Maiores detalhes a respeito do que encontrei lá tomariam muito espaço, ao recordar mais parece um filme de aventuras e espero retomar mais vezes este tema.

Aquelas manifestações levaram o Chile a uma reforma constitucional em seu sistema político e, ao invés de se fechar, parece que o povo chileno tem aberto as portas para o interesse internacional.

Ainda que o Chile tenha sido o primeiro país da América Latina a vacinar contra a COVID-19, esta tem produzido reflexos na economia e agravado a desigualdade também lá. Isto torna uma mudança constitucional mais desafiadora.

Embora tenha presenciado muitos conflitos nas manifestações de outubro de 2019, o Chile apresenta um nível muito grande de integração social que permite aos atores políticos de diferentes posições manter um debate de alto nível.

Talvez o que esteja a atrair a atenção de pessoas de diferentes países para o processo político chileno seja a curiosidade sobre como irá se ampliar a representatividade no processo político e ao mesmo tempo manter o funcionamento da economia com integração social e ao mesmo tempo reduzir a desigualdade.

Enfim temas que podem ser interessantes para outros países, inclusive o Brasil.

Publicado em:

A MINHA VIVÊNCIA NA PANDEMIA E O CHILE « Portal Ambiente Legal. Acesso em: 22/jan/2021

MI EXPERIENCIA EN PANDEMIA Y CHILE

 

Como a todos me sorprendió el COVID-19 y algunas fechas son bastante significativas y sus consecuencias permanecen, deben durar un tiempo o quedarse para siempre. Como sabemos, falta una narrativa que dé una interpretación más objetiva del tiempo que vivimos. Incluso los intelectuales más significativos, como Iuval Noah Harari y Edgar Morin, hacen sus valoraciones del momento con reservas, ante la disrupción del covid-19.

Entre el 7 y el 16 de marzo de 2020, mi hija Carolina vino a visitarme y, en contacto con familiares en Italia, informó lo sucedido allí. Escuché con cierto escepticismo que se moría por centenares y ni siquiera podía imaginar la atención que me esperaba.

Mi hija y una amiga estaban diseñando una empresa de exportación a Europa, covid-19 frustró este objetivo por ahora, pero reforzó la actividad arquitectónica que viene desarrollando cuando es necesario modificar casas fuera de las grandes ciudades para trabajar a distancia. Una buena consecuencia todavia, ante los cientos de miles de muertos y tantos que su actividad profesional desapareció.

El 16 de marzo me desperté imaginando mi campo de trabajo restringido, comencé a leer a los estoicos, básicamente Séneca y Cicerón, así como comencé a pensar que la historia reciente tendría poco valor para orientar mi futuro.

Empecé a participar en reuniones controladas por zoom desde Colombia, Argentina y Chile, pero con participantes de otros países de Latinoamérica y USA, pero siempre en español. Casualmente, fortalecí las relaciones con el académico Guido Asencio Gallardo y escribí un artículo en coautoría con el académico Felipe Vicencio Poblete. Ambos chilenos, de gran alcance intelectual y con perspectivas distintas pero complementarias. Durante un viaje a Chile me sorprendieron las manifestaciones de octubre de 2019. Más detalles sobre lo que encontré allí ocuparían mucho espacio, ya que lo recuerdo más como una película de aventuras y espero volver a este tema más a menudo.

Esas manifestaciones llevaron a Chile a una reforma constitucional en su sistema político y, en lugar de cerrar, parece que el pueblo chileno ha abierto la puerta al interés internacional.

Aunque Chile fue el primer país de América Latina en vacunarse contra el COVID-19, ha tenido un impacto en la economía y también ha exacerbado la desigualdad allí. Esto hace que el cambio constitucional sea más desafiante.

Si bien Chile fue testigo de muchos conflictos en las manifestaciones de octubre de 2019, presenta un altísimo nivel de integración social que permite a los actores políticos de diferentes posiciones mantener un debate de alto nivel.

Quizás lo que está llamando la atención de personas de diferentes países hacia el proceso político chileno es la curiosidad por cómo se expandirá la representatividad en el proceso político y al mismo tiempo mantendrá la economía funcionando con integración social y al mismo tiempo reducirá la desigualdad. .

Finalmente, temas que pueden ser de interés para otros países, incluido Brasil.

Publicado originalmente en:

Mi experiencia en Pandemia y Chile – Revista digital CIAPE. Aceso: 22-enero-2021

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

As Possibilidades do Direito e a Intensa Conexão na COVID-19

          Neste trabalho recuperar-se-á o histórico da internet para destacar a notória disseminação na pandemia na COVID-19 e as possibilidades do Sistema Jurídico neste contexto.

A internet parece ser uma conexão espontânea de redes de computador, surgida na década de 90, todavia é fruto de um planejamento estratégico, resultante de atribuição de capacidade normativa de conjuntura a agências, segundo um modelo próprio do Direito Econômico.

 

Em 1960, a Agência de Pesquisas Avançadas do Departamento de Defesa dos EUA (DARPA) desenvolveu o ARPANET, um sistema de redes de comunicação que, posteriormente, foi ligado a outras redes de computador, estabelecidas por outras agâncias governamentais e universidades norte-americanas.

 

A organização em rede do sistema de defesa dos EUA impedia, durante a Guerra fria, a neutralização do sistema com a destruição, por exemplo, do Pentágono.

 

Durante os anos 70, o DARPA aplicou recursos no desenvolvimento da “rede das redes” que permitiam a comunicação entre redes, os internet protocols (IP). Nessa etapa foi relevante o papel do Dr. Jon Postel (então recém-graduado pela Universidade da Califórnia) que foi contratado pelo Departamento de Defesa para manter a lista dos nomes e endereços dos computadores participantes) posteriormente o DARPA autorizou-o a delegar tarefas à SRI International na manutenção de listas de documentos, tal função passou a ser conhecida por Internet Assigned Numbers Authority (IANA).

 

No início dos anos 80, a internet foi gerenciada pelo DARPA. Entretanto, a tarefa de manutenção da lista de nomes tornou-se onerosa e o sistema de nomes de domínio (DNS), criado com a participação de Jon Postel e da SRI International, foi desenvolvido.

 

No início de 1987, a IBM, MCI e Merit desenvolveram o NSFNET, uma rede de alta velocidade baseada nos protocolos de internet, sob os cuidados da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NSF). O NSFNET, a maior rede governamental, disponibilizou um “backbone” para conectar outras redes servindo mais de 4000 instituições de ensino e pesquisa em todos Estados Unidos da América. Destacado papel teve a NASA e o Departamento de Energia dos Estados Unidos que disponibilzaram instalações para uso de “backbone” assegurando o sucesso da iniciativa.

 

No início da década de 90, a NSF assumiu a responsabilidade pela porção não-militar da infra-estrutura da internet, incluindo os serviços de registro de domínio.

 

Em 1992, o Congresso norte-americano atribuiu à NSF autoridade para permitir atividade comercial no NSFNET, o que facilitou a conexão entre essa rede com os então recentes serviços de provedores, pavimentando a estrada da atual internet. Em 3 de dezembro de 1992, a NSF firmou um acôrdo de cooperação com a Network Solutions, Inc. para otimizar a atribuição conferida à NSF desenvolver essa atividade. Posteriormente, a Organização Européia de Pesquisa Nuclear, situada em Genebra (Suíça) teve um papel fundamental no desenvolvimento de softwares, protocolos e convenções que formam a internet.

 

Em junho de 1998, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos coordenou a comunidade de internet para formar uma organização privada sem fins lucrativos para proceder à coordenação técnica da internet até então exercida pela IANA (pertencente à estrutura governamental norte-americana). Em resposta a essa iniciativa foi criada, no final desse ano, a “Internet Corporation for Assigned Names and Numbers” (www.icann.org), com sede na Califórnia. Uma das principais atribuições da ICANN é supervisionar a política para determinar as circunstâncias sob as quais um domínio de alto-nível é integrado ao sistema.

 

O volume de dados gerados pela internet, cujo modelo tem sido crescentemente transposto para aplicativos usados normalmente em celulares, e o poder de processamento dos computadores tem permitido a utilização de redes neurais, cuja aplicação mais notória é a inteligência artificial.

 

Desde 2015 a China, em virtude do volume de dados que produz e aplicação de recursos em formação técnica em redes neurais e empreendedorismo, tem rivalizado com os Estados Unidos na aplicação de inteligência artificial em “start ups”, mas a China, os EUA e o mundo de uma maneira geral tem enfrentado problemas com as “big techs”.

 

A COVID-19 disseminou de tal maneira o uso da internet que transformou até a atividade de pequenos negócios, o que tem levado executivos a deixarem empresas como Itaúbanco ou Braskem para trabalhar na Ifood.

 

As GAFAM (acrônimo com as iniciais de Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft), especialmente Facebook e Google, bem como a Alibaba, a gigante de comércio eletrônico entre empresa, sediada na China passaram a ter mais atenção dos órgãos reguladores nos países onde atuam.

 

O Facebook deve responderm por ter adquirido o Instagram e o WhatsApp, pois existem indícios veementes que o o fez para impedir o desenvolvimento de atividades empresariais que lhe poderiam fazer concorrência. Desta forma virou alvo de ações nos EUA, inclusive no Congresso, podendo culminar com o desemembramento do Facebook.

 

O Google tem virado alvo de ações por condutas contrárias ao direito concorrencial como o direcionamento de pesquisas para a compra de bens de consumos para “sites” patrocinados.

 

Facebook e Google devem responder em conjunto em razão do “back up” das mensagens criptografadas do WhatsApp serem armazenadas na nuvem, mantida pelo Google, demonstrando que inexiste sigilo em tais mensagens.

 

Relativamente ao Alibaba e seu controlador Jack Ma têm sido alvos de crescentes questionamentos, em um deles o Partido Comunista afirmou que “se monopólios forem tolerados, e  empresas se expandirem desordenadamente, a indústria não se desenvolverá de maneira saudável e sustentável”. 

 

Tudo isso deverá culminar em ações conjuntas de diferentes países com a ativa participação das regulações existentes na União Européia, que inspirou a lei brasileira de proteção de dados que entrou em vigor durante a pandemia.

 

Parece-nos intuitivo ser insuficiente uma abordagem que, exclusivamente, considere, na disciplina e na solução de conflitos resultantes do uso da internet, textos normativos emanados de um Estado Nacional (como o Brasil).

 

Afinal as normas relevantes para a internet são emanadas de diferentes centros de decisão juridical, como demonstrado. Isso deve engendrar ordenamentos jurídicos diferenciados, cujas normas coexistem no mesmo espaço social, exigindo que a reflexão jurídica avance para crescentemente reconhecer o Direito como um sistema aberto ao ambiente.

Publicado originalmente em: http://conversandocomoprofessor.com.br/2021/01/08/as-possibilidades-no-direito-e-a-intensa-conexao-da-covid-19/ Acesso: 11/jan/2021



 

 

 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Cooperativismo como aliado do desenvolvimento econômico local

 

Guido Asencio

Acadêmico

Existem várias formas de melhorar o desenvolvimento económico local, visto que nestas linhas tentaremos captar a contribuição que as cooperativas podem dar como forma de promover a associatividade nas empresas, através da organização de uma estrutura orgânica que tivesse uma grande boom do início do século 19 junto com a Revolução Industrial e que hoje tem a possibilidade de ressurgir para amenizar os problemas presentes na produtividade local.

Para começar, é preciso destacar que o cooperativismo surge como uma alternativa válida para melhorar as condições econômicas, sociais e culturais de muitos países que hoje se desenvolvem, estando presente em praticamente todos os ramos da atividade produtiva, desde sua definição original. Do RAE pode-se extrair que se refere a “que coopere ou pode cooperar em algo”, ao passo que se o termo for especificado para a própria cooperativa, é possível vincular o termo a associação “entre produtores, vendedores ou consumidores para a utilidade comum de os sócios ”, aqui vem a conceituação do termo utilidade, como uma alternativa que sugere um olhar muito mais inclusivo do que é conhecido em termos gerais, pois não está associado apenas à rentabilidade normal de uma entidade, mas que implicitamente requer a abertura de tal conceito para dar lugar à obtenção de benefícios na comunidade, tendo em vista que esta "utilidade comum ”, abre o círculo para que os membros voluntários da unidade cooperativa possam estabelecer objetivos comuns, que vão além da simples rentabilidade.

Entre as vantagens que as cooperativas têm, estão a redução de custos, o aproveitamento de economias de escala (possibilidade de comprar mais barato, porque podem fazer com volumes muito maiores), em função disso, também têm a possibilidade de encontrar melhores formas de gerar negociações, pelo facto de terem um poder de compra muito mais amplo atuando em conjunto, o que dá origem a uma inserção nos diferentes mercados com uma posição mais forte face a outras entidades individuais.

Na configuração de sua estrutura, que promove a ação conjunta, também é possível elucidar o cultivo de valores pautados na confiança, estabelecendo premissas que incluem a prática da democracia participativa, igualdade entre associados, equidade e solidariedade, que tem a sua origem no trabalho colaborativo que promovem, onde alguns países o associam como um poderoso instrumento de promoção de uma verdadeira economia social, dando especial importância ao conceito de capital social, definido por Durton (2003), como “o conjunto de relações baseado na confiança e no comportamento de cooperação e reciprocidade ”.

No Chile, há a existência da Lei Geral do Cooperativismo, por meio da promulgação da DFL nº 502 de 1978, promovida pelo Ministério da Economia, Desenvolvimento e Reconstrução, que é matizada com a promulgação da Lei 19.832 de 2002 que vem modificar o antigo regime jurídico, conferindo-lhe um carácter mais actualizado e reflectindo a realidade nacional, detalhando as características e natureza deste tipo de entidades, bem como dando-lhe a importância que representam para o desenvolvimento económico do país.

 

O fato de nas cooperativas todos os associados participarem ativamente da administração, de haver fundos de reserva, promover a conexão com as necessidades locais e a interação com as comunidades, entre outras, estão entre as hipóteses que poderiam explicar essa maior resiliência. .

Por todas estas razões, não é surpreendente que os mais diversos países valorizem e promovam este tipo de organização. De acordo com o ICA, mais de um bilhão de pessoas no mundo estão associadas a uma cooperativa, seja como associados / clientes ou funcionários / participantes, e estas geram mais de 100 milhões de empregos2

 

Portanto, ter uma organização na qual seus membros trabalham juntos em benefício próprio permite às cooperativas desenvolver, talvez mais facilmente do que em outros tipos de organização, atividades de educação, treinamento e informação para seus membros e suas famílias.

Por sua vez, a governança das cooperativas é altamente atrativa pelos princípios que as regem. De acordo com a International Co-operative Alliance (ICA), esses princípios são:

1. Associação aberta e voluntária: as cooperativas são organizações voluntárias abertas a todas as pessoas que desejam se associar e estão dispostas a aceitar as responsabilidades de ser um associado.

2. Controle democrático dos membros: todos os membros participam ativamente da tomada de decisões, e os representantes eleitos prestam contas aos membros.

3. Participação econômica dos membros: os associados contribuem de forma equitativa para o capital de suas cooperativas e por sua vez, todos os seus associados obtêm os sobras decorrentes do exercício.

4. Autonomia e independência: são autônomos, autoajudas e controlados por seus membros. Se, por exemplo, chegarem a acordos com outras organizações, inclusive o Estado, ou simplesmente aumentar o capital com fontes externas, o farão em termos que garantam o controle democrático dos associados e a manutenção autônoma da cooperativa.

5. Educação, formação e informação: proporcionam educação e formação aos seus associados, administradores, empregados, etc., para que possam contribuir de forma adequada para o desenvolvimento da cooperativa.

Além disso, informam o público em geral sobre a natureza e os princípios do cooperativismo.

6. Cooperação entre cooperativas: são capazes de oferecer melhores resultados a seus associados por meio do fortalecimento do movimento cooperativo. Isso é conseguido através do trabalho conjunto de cooperativas nos níveis local, nacional, regional e internacional.

7. Compromisso com a comunidade: ao mesmo tempo em que se concentra nas necessidades e desejos dos associados, as cooperativas trabalham para alcançar o desenvolvimento sustentável de suas comunidades. E como o excedente é distribuído entre os associados, eles permanecem nas mesmas comunidades.

Por fim, destaca-se o papel econômico desempenhado pelas cooperativas em tempos de crise. Recentemente, a experiência europeia, principalmente na Espanha e na França, mostrou que neste tipo de organização há maior resiliência do que no resto do setor produtivo às turbulências da economia, como as vividas desde a crise financeira internacional de 2008 (Roelants et al, 2012). O fato de nas cooperativas todos os associados participarem ativamente da administração, de haver fundos de reserva, promover a conexão com as necessidades locais e a interação com as comunidades, entre outras, estão entre as hipóteses que poderiam explicar essa maior resiliência. .

Por todas estas razões, não é surpreendente que os mais diversos países valorizem e promovam este tipo de organização. De acordo com o ICA, mais de um bilhão de pessoas no mundo estão associadas a uma cooperativa, seja como associados / clientes ou funcionários / participantes, e estas geram mais de 100 milhões de empregos2

. Por exemplo, no Japão, 1 em cada 3 famílias faz parte de uma cooperativa; na Alemanha e nos Estados Unidos essa proporção é de 1 em 4, no Canadá 4 em 10 e em Cingapura 1 em 2.

Por outro lado, as cooperativas podem tornar-se entidades muito significativas no setor e na economia onde se desenvolvem: as cooperativas canadenses produtoras de xarope de bordo representam 35% da produção mundial deste produto; A maior agência de viagens do Reino Unido é uma cooperativa, além de líder mundial na produção de laticínios, é uma cooperativa neozelandesa chamada Fonterra Cooperative Group Ltda. Sem ir mais longe, Colun (Cooperativa Agrícola e Lechera de La Unión Ltda. ) e Pisco Capel (Cooperativa Agrícola Pisquera Elqui Ltda.) são cooperativas chilenas de sucesso que têm um impacto local importante. A primeira é a maior processadora de leite do país, representando 23,0% do total do leite processado e 30,5% do total de queijos e queijos produzidos, além de ser o segundo maior exportador de laticínios do Chile3

 

A segunda é a principal produtora de pisco do país e está presente em 39 países ao redor do mundo, representando hoje mais de 70% do total das exportações chilenas de pisco.

 Impacto econômico e social das cooperativas

Como já foi dito nas seções anteriores, o modelo cooperativo tem conseguido se impor em diversas realidades políticas, níveis de desenvolvimento e características culturais, trazendo consigo importantes resultados entre os diferentes setores produtivos.

Estes tipos de organizações, por serem democráticas e participativas, constituem um espaço favorável para a construção do capital social, entendido como o conjunto de relações baseadas na confiança e em comportamentos de cooperação e reciprocidade (Durton, 2003), um bem escasso no Chile. quando comparado a outros países (PNUD, 2000).

Nessa linha, Borzaga e Galera (2012) apontam que “as empresas sociais são cada vez mais consideradas como mecanismos de sucesso para conciliar equidade e eficiência com a criação de valor econômico e social, e que podem ser interpretados como expressões. sinais concretos de um sentido crescente de responsabilidade social por parte dos cidadãos ”.

Da mesma forma, os autores estabelecem que o impacto econômico das cooperativas encontra-se em pelo menos cinco pontos:

Eu. Redução de falhas de mercado, melhorando o funcionamento do sistema econômico e aumentando o bem-estar de grupos de pessoas. Isso se explica porque, com empresas existentes com objetivos e estruturas de propriedade diferentes, é possível oferecer aos consumidores uma gama mais ampla de possibilidades de consumo, o que por sua vez se traduz em mais concorrência, preços de varejo mais baixos, oportunidades para inovar, etc.

ii. Papel estabilizador da economia, especialmente em setores caracterizados por elevados graus de incerteza e volatilidade de preços, como os mercados financeiro e agrícola. Isso é demonstrado por Birshall (2013), que analisa por meio de três dimensões (propriedade, controle e lucro) as vantagens e desvantagens comparativas das cooperativas em relação às empresas tradicionalmente constituídas em condições de crise.

iii. Produção de bens e serviços em torno das necessidades das pessoas que atendem, desde que sejam capazes de produzir bens e serviços que não são atrativos para terceiros devido à sua baixa rentabilidade ou mesmo quando a rentabilidade é negativa. Neste último caso, as cooperativas conseguem atingir o patamar de rentabilidade (quando o custo total é igual à receita total por venda) graças ao fato de poderem atrair recursos adicionais não tradicionais, como trabalho voluntário e doações, especialmente no fase de arranque da empresa.

iv. Adoção de perspectivas de longo prazo, pois muitas vezes se tornam ativos produtivos para as comunidades em que atuam. Assim, muitas cooperativas tendem a destinar parte do excedente a um fundo coletivo e indivisível que pertence a todos os associados, incluindo as gerações futuras.

v. Contribuem para uma distribuição de renda mais eqüitativa, pois desde sua concepção esses tipos de entidades são constituídos para garantir o bem-estar de seus associados, portanto, tendem a redistribuir recursos seja por meio de mais empregos, melhorias salariais ou simplesmente , por meio de preços mais baixos nos produtos oferecidos.

Por outro lado, na Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 elaborada pelas Nações Unidas, são estabelecidos 12 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nos quais as cooperativas contribuem de forma direta e significativa (OIT, 2014):

1. Redução da pobreza: identificar as oportunidades econômicas de seus membros, capacitando os mais desfavorecidos para defender seus interesses, proporcionando segurança para os pobres, permitindo-lhes converter riscos individuais em riscos coletivos e promovendo o acesso de seus membros a bens que eles não poderiam obter de outra maneira.

2. Igualdade de gênero: ampliando as oportunidades para as mulheres participarem nas economias locais. Em muitos setores, as mulheres constituem a maioria dos parceiros.

3. Educação de qualidade e aprendizagem ao longo da vida: fornecer meios para financiar a educação, apoiar professores e escolas e estabelecer suas próprias escolas para fornecer educação de qualidade.

4. Saúde: criar a infraestrutura necessária para a prestação de serviços de saúde, financiando-os e oferecendo possibilidades mais adequadas às necessidades dos membros.

5. Segurança alimentar e nutricional: ajudar pequenos agricultores, pescadores, pecuaristas, entre outros, a resolver inúmeros desafios que enfrentam na produção de alimentos, como a falta de acesso a informações sobre preços, acesso a insumos de alta qualidade e ao mercado financeiro .

6. Acesso à água e saneamento: facilitar o acesso a serviços de água potável e saneamento, abordando as falhas dos setores público e privado.

7. Energia Sustentável: contribuindo para o alcance de metas de energia sustentável como maior acesso, eficiência e redução de emissões, adotando energias limpas e renováveis ​​como solar e eólica.

 8. Criação de empregos e geração de renda: contribuindo para a geração de empregos, segurança de renda e condições dignas de trabalho.

9. Gestão sustentável dos recursos naturais: garantir que os recursos naturais não se esgotem e ajudar as localidades a encontrar soluções para as mudanças ambientais, definindo seus direitos de propriedade e uso, gerenciando os recursos naturais e diversificando suas atividades econômicas.

10. Boa governança: por meio do controle democrático dos associados, permitindo maior transparência, responsabilidade, participação, coerência com as necessidades das pessoas e respeito ao cumprimento da lei.

11. Promoção de sociedades estáveis ​​e pacíficas: ser uma fonte de capital social, promovendo um forte sentido de comunidade, participação e inclusão dos membros e restabelecimento das relações interpessoais e da paz.

12. Facilitação e financiamento do comércio de longo prazo: eliminando a lacuna comercial entre o mundo desenvolvido e o em desenvolvimento, estabilizando os sistemas financeiros durante as crises e fornecendo a base para o aprofundamento financeiro.

Em suma, o cooperativismo desempenha um papel fundamental na trajetória dos países para um desenvolvimento sustentável e equitativo, que vai muito além da geração de empregos. Embora a participação das cooperativas no produto e no número total de empresas seja relativamente pequena na maioria dos países, sua promoção e expansão pode ser um instrumento relevante para o cumprimento dos objetivos econômicos, sociais e ambientais do país.